Tesouro vs CDB: qual rende mais?

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Tesouro Direto vs. CDB: Análise Profunda da Rentabilidade na Renda Fixa Brasileira

A busca por investimentos de Renda Fixa que ofereçam segurança e rentabilidade superior à inflação é uma constante no mercado financeiro brasileiro. Dentre as opções mais populares e acessíveis, destacam-se o Tesouro Direto (Títulos Públicos Federais) e o Certificado de Depósito Bancário (CDB). Para determinar qual desses ativos tem o potencial de render mais, é crucial realizar uma análise técnica e objetiva, desmembrando as estruturas de risco, liquidez, tributação e, fundamentalmente, os mecanismos de remuneração de cada modalidade.

A premissa de que um investimento é superior ao outro é simplista. A rentabilidade efetiva é uma função multivariável que depende do cenário macroeconômico (especialmente a trajetória da taxa Selic e da inflação), do horizonte de investimento do aplicador e da modalidade específica de cada título.

O Mecanismo de Remuneração dos Ativos

A diferença na rentabilidade potencial começa na própria natureza do emissor e do indexador de cada título.

Tesouro Direto: A Dívida Federal e Suas Modalidades

O Tesouro Direto é a plataforma de negociação de títulos da dívida pública federal, com garantia de pagamento pelo Tesouro Nacional, conferindo-lhe o menor risco de crédito do país. Seus títulos são categorizados por indexadores:

  • Tesouro Selic (LFT): Este é o título pós-fixado mais popular, ideal para a reserva de emergência. Sua rentabilidade é dada pela Taxa Selic (a taxa básica de juros da economia), acrescida de um pequeno spread (geralmente zero ou muito próximo de zero). A rentabilidade acompanha o indicador: Selic + Spread.
  • Tesouro Prefixado (LTN e NTN-F): A taxa de retorno é fixada no momento da compra. O investidor sabe exatamente quanto receberá se mantiver o título até o vencimento. A rentabilidade é travada, o que o torna ideal em cenários de expectativa de queda da taxa Selic.
  • Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal e NTN-B): A remuneração é híbrida, composta por uma taxa prefixada real (juro real) mais a variação da inflação medida pelo IPCA. Sua rentabilidade é dada por: (IPCA + Taxa Fixa). É a melhor opção para preservar o poder de compra no longo prazo.

CDB: O Título da Dívida Bancária

O CDB é um título emitido por instituições financeiras para captar recursos. Ele é garantido pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até o limite de R$ 250.000 por CPF e por instituição, com um teto de R$ 1 milhão por CPF a cada período de quatro anos. Assim como o Tesouro Direto, o CDB possui modalidades de rentabilidade:

  • CDB Pós-Fixado: É a forma mais comum e está atrelado ao Certificado de Depósito Interbancário (CDI), que historicamente acompanha de perto a taxa Selic. Sua rentabilidade é expressa como um percentual do CDI, por exemplo, 100% do CDI, 115% do CDI, etc.
  • CDB Prefixado: Semelhante ao Tesouro Prefixado, a taxa é definida no momento da aplicação.
  • CDB Híbrido: Raro, mas pode ser encontrado, com indexação similar ao Tesouro IPCA+.

A Dinâmica da Rentabilidade Líquida: Cenários Macroeconômicos

Para comparar a rentabilidade de forma eficaz, é necessário analisar o retorno líquido (após Imposto de Renda e custos) e considerar o cenário econômico atual e a duração do investimento.

1. Cenário de Curto Prazo e Reserva de Emergência (Liquidez Diária)

Neste contexto, a comparação se dá tipicamente entre o Tesouro Selic e um CDB Pós-Fixado de Liquidez Diária.

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  • Tesouro Selic: Rende Selic (excluindo a taxa de custódia B3 de 0,20% a.a. acima de R$ 10.000).
  • CDB de Liquidez Diária: Geralmente, os CDBs de liquidez imediata oferecem um percentual do CDI que varia entre 90% e 100% (ou até um pouco mais) do CDI, dependendo da solidez e necessidade de captação da instituição emissora.

Análise: Em um cenário de liquidez diária, o Tesouro Selic frequentemente apresenta uma rentabilidade bruta superior, já que rende 100% da taxa referencial (Selic) menos a pequena taxa de custódia, enquanto muitos CDBs de resgate imediato rendem um percentual abaixo de 100% do CDI (que é ligeiramente menor que a Selic). Contudo, é fundamental calcular a rentabilidade líquida, uma vez que o IR e o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nos primeiros 30 dias incidem de forma idêntica sobre ambos.

2. Cenário de Médio a Longo Prazo (Com Carência/Vencimento)

Aqui, a rentabilidade dos CDBs pode se destacar. Instituições financeiras, especialmente as de médio porte, que buscam captar recursos de longo prazo, oferecem CDBs com taxas significativamente mais elevadas (acima de 110% do CDI ou taxas prefixadas mais atrativas) em troca da carência ou da retenção do capital até o vencimento.

  • CDB com Vencimento Longo: Ao abrir mão da liquidez, o investidor é premiado com um prêmio de risco e prazo maior, elevando a taxa de juro real.
  • Tesouro Prefixado/IPCA+: O retorno contratado no Tesouro Direto é, geralmente, o referencial de menor risco. Se um banco oferece um CDB Prefixado de 14% a.a. e o Tesouro Prefixado de prazo similar oferece 12% a.a., o CDB renderá mais, refletindo o risco de crédito adicional da instituição (mesmo com a proteção do FGC).

Análise: No médio e longo prazo, CDBs sem liquidez diária com taxas acima de 100% do CDI ou prefixadas agressivas têm um potencial de rentabilidade bruta maior que o Tesouro Selic e, em alguns casos, podem superar o juro real do Tesouro IPCA+. A decisão, neste ponto, recai sobre a relação risco versus retorno e o spread oferecido pelo mercado.

O Fator Risco de Mercado (Marcação a Mercado)

O risco de mercado é um fator que afeta os Títulos Públicos e, em menor grau, os CDBs.

Tesouro Direto e Marcação a Mercado

Os títulos do Tesouro Prefixado e IPCA+ são sensíveis à Marcação a Mercado (MaM). Se o investidor decidir vender o título antes do vencimento, o preço de venda será o valor de negociação do dia, que pode ser maior ou menor que o valor investido corrigido.

  • Se a taxa de juros futura cair, o preço do título sobe (ganho).
  • Se a taxa de juros futura subir, o preço do título cai (perda).

Isto significa que, embora a rentabilidade contratada seja garantida no vencimento, o retorno em resgates antecipados pode ser imprevisível. O Tesouro Selic é o único título do programa que é pouco afetado pela MaM, sendo a exceção.

CDB e Carência

Os CDBs com carência não possuem MaM, pois o resgate antecipado não é permitido ou, quando é, o banco pode aplicar uma taxa de penalidade ou negociar uma recompra. Nesses casos, a rentabilidade é a contratada no momento da aplicação, desde que mantida até o vencimento. A rentabilidade extra obtida no CDB longo é uma compensação pela baixa liquidez e pelo risco de crédito.

Impacto da Tributação e Custos no Rendimento Líquido

Ambos os ativos estão sujeitos à mesma tabela regressiva de Imposto de Renda (IR) sobre os rendimentos:

Prazo de Aplicação Alíquota de IR
Até 180 dias 22,5%
De 181 a 360 dias 20,0%
De 361 a 720 dias 17,5%
Acima de 720 dias 15,0%

O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) também incide sobre os rendimentos de ambos se o resgate ocorrer antes de 30 dias.

No Tesouro Direto, há a cobrança da Taxa de Custódia da B3 de 0,20% ao ano sobre o valor investido acima de R$ 10.000,00 por CPF. O CDB, por outro lado, geralmente não possui taxa de custódia. Essa ausência de custo adicional no CDB pode torná-lo ligeiramente mais rentável em valores e prazos menores, antes de a taxa Selic ser considerada.

Qual Rende Mais? Síntese Técnica

A comparação de rentabilidade entre Tesouro Direto e CDB deve ser feita com base na finalidade do recurso:

Finalidade do Recurso Opção Mais Rentável em Geral Justificativa Técnica
Reserva de Emergência (Curto Prazo) Tesouro Selic Maior liquidez garantida e rentabilidade mais próxima do CDI (Selic) que a maioria dos CDBs de liquidez diária (que rendem < 100% do CDI). Menor risco de crédito.
Metas de Médio Prazo (2 a 5 anos) CDB Pós-fixado Longo Instituições médias oferecem percentuais significativamente superiores a 100% do CDI, compensando o risco de crédito e a baixa liquidez.
Metas de Longo Prazo (> 5 anos) Tesouro IPCA+ Garante um juro real (Taxa Fixa + IPCA), sendo o instrumento mais eficiente para proteger o poder de compra contra a inflação por décadas.
Aproveitar Queda de Juros CDB ou Tesouro Prefixado A rentabilidade será determinada pelo spread de mercado oferecido. CDBs podem oferecer taxas prefixadas ligeiramente mais elevadas.

Em suma, o CDB (sem liquidez) tende a oferecer uma rentabilidade bruta maior do que o Tesouro Direto para investimentos de médio prazo (2 a 5 anos), graças ao prêmio de risco e carência. No entanto, o Tesouro Direto (IPCA+ ou Selic) oferece a melhor relação entre segurança, liquidez e proteção contra a inflação no longo prazo e na reserva de emergência, respectivamente. O investidor deve ponderar a rentabilidade bruta do CDB contra o risco de crédito e a rentabilidade real do Tesouro IPCA+ versus a previsibilidade do seu horizonte de investimento.

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